Brasília, 25 set (EFE).- A campanha para as eleições de 3 de outubro entrou hoje na reta final, com a candidata petista Dilma Rousseff consolidada como favorita e o tucano José Serra em um esforço derradeiro de levar a disputa ao segundo turno.
A última pesquisa, divulgada nesta sexta-feira pelo Ibope, coincide com todos os resultados conhecidos nas últimas semanas e reforça a previsão de que Dilma, escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vencerá já no primeiro turno.
Segundo a pesquisa Ibope desta sexta, Dilma conta com 50% das intenções de voto, número que sobe para 55% quando descontados os eleitores que votarão em branco - sufrágios desconsiderados na apuração oficial.
Em relação a Serra, a pesquisa indica que o candidato do PSDB obteria 28%, o que significa que, na última semana de campanha, terá de conquistar o respaldo de 6% do eleitorado (8 milhões de eleitores) para impedir que Dilma ganhe as eleições já no primeiro turno.
E justamente 6% é o percentual de eleitores indecisos, segundo a pesquisa, faltando apenas oito dias para as eleições. Mas para levar o pleito ao segundo turno, o tucano terá de convencê-los ou apostar que outros candidatos, como Marina Silva, do PV - que tem 12% de apoio -, tirem votos de Dilma.
No entanto, as previsões das pesquisas também são favoráveis a Dilma em um eventual segundo turno, que aconteceria em 31 de outubro caso nenhum candidato supere 50% dos votos.
O Ibope coincide com outras pesquisas ao apontar a candidata do PT como vencedora também no segundo turno. Segundo a pesquisa desta sexta, Dilma venceria com 54%, contra 32% de Serra.
O candidato opositor, que partiu para o tudo ou nada, reiterou hoje no horário eleitoral gratuito que o salário mínimo, atualmente em R$ 510, pode aumentar de forma imediata, sem afetar o Estado nem o setor privado.
"Levarei o salário mínimo a R$ 600 e aumentarei em 10% todas as aposentadorias e pensões", prometeu Serra, mencionando números que economistas do Governo e do setor privado puseram em dúvida.
Dilma, por sua vez, aproveitou hoje a propaganda eleitoral gratuita para fazer um novo repasse dos avanços sociais e econômicos pelos quais o país passou desde 2003, durante a gestão de Lula.
A candidata enfatizou hoje o âmbito econômico e comentou sobre a crise financeira global que eclodiu em 2008, definindo-a como "a pior dos últimos 80 anos".
"Em outros tempos, uma crise dessa natureza teria quebrado o Brasil", mas "a forma de governar de Lula e suas decisões acertadas fizeram com que o país ficasse mais forte do que nunca", destacou.
Assim, a petista se referiu claramente à gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), em cujo Governo o atual candidato José Serra trabalhou como ministro do Planejamento e da Saúde.
No domingo 3 de outubro, os eleitores decidirão pelos governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, pela renovação dos 513 deputados da Câmara e dois terços do Senado, além dos deputados estaduais.
Após um empate na votação de quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir na próxima quarta-feira sobre a aplicação ou não já para estas eleições da Lei Ficha Limpa, sancionada em junho, segundo a qual não podem se candidatar a nenhum cargo as pessoas condenadas em primeira instância em processos judiciais.
A lei afeta diretamente 171 candidatos a diversos cargos, que criticaram o caráter retroativo da norma, regulamentada após um movimento nacional de iniciativa popular.
O alvo de destaque desse movimento é Joaquim Roriz, do PSC, quem nesta sexta-feira renunciou à candidatura ao Governo do Distrito Federal em favor de sua esposa, Weslian Roriz, diante da possibilidade de ter o registro invalidado pelo Supremo.