quarta-feira, outubro 13, 2010

“Homem-bomba PSDB”


processa
tucanos por calúnia e difamação

Citado em debate, Paulo Preto teria "fugido" com R$ 4 mi de campanha tucana
Mariana Londres, do R7, em Brasília, com R7

O ex-diretor da Dersa (empresa estatal do governo de São Paulo) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, disse nesta terça-feira (12), por meio de seu advogado, que está processando por danos morais, calúnia a difamação os tucanos que o acusam de ter arrecadado ilegalmente R$ 4 milhões para a campanha do candidato José Serra (PSDB).
Paulo Preto foi citado pela presidenciável Dilma Rousseff (PT) em debate na TV como o homem que “fugiu com R$ 4 milhões” da campanha de Serra e, por isso, passou a ser chamado de “homem-bomba” do PSDB pela imprensa.

Dilma se baseava em informações publicadas em reportagem da revista IstoÉ de agosto, em que ele é acusado de ter arrecadado R$ 4 milhões junto a empreiteiras em nome da campanha de Serra. De acordo com a matéria, o dinheiro nunca chegou aos cofres da campanha, e Souza teria fugido do país.
O engenheiro nega ter arrecadado dinheiro e processa os tucanos ouvidos pelos autores da reportagem, como explica o seu advogado, José Luis Oliveira Lima, em entrevista ao R7.
- Ele nega taxativamente [ter arrecadado R$ 4 milhões]. Ele jamais arrecadou qualquer dinheiro para qualquer campanha do PSDB. Na verdade a candidata Dilma não o acusa, ela simplesmente se refere à matéria que foi publicada na revista Istoé. E o Paulo Vieira de Souza está processando todas as pessoas que o acusam na matéria, o Eduardo Jorge [vice-presidente nacional do PSDB], o Evandro Lossacco [tesoureiro-adjunto do PSDB] e os dois jornalistas autores da matéria [Sérgio Pardellas e Claudio Dantas Sequeira].
Os processos são queixa-crime por calúnia e difamação e uma ação cível por danos morais. De acordo com o advogado os processos já estão em andamento, já que foram iniciados em agosto. Oliveira reiterou que esta será a postura do seu cliente, de processar qualquer pessoa que atinja a sua honra.
- A candidata Dilma não está sendo processada pelo que disse no debate porque citou a reportagem, não assumiu textualmente as acusações. Caso qualquer pessoa ou eventualmente a própria candidata afirme textualmente o que foi dito na imprensa [na reportagem da IstoÉ], será processada.
O advogado também afirma que Paulo Vieira de Souza jamais deixou o país (a reportagem afirmava que ele teria "fugido" com o dinheiro), que trabalha desde que deixou a Dersa em projetos e consultoria porque é considerado um dos melhores engenheiros do país.
Em entrevista publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, o engenheiro cobra uma defesa pública de José Serra, que ignorou o tema durante o debate de domingo (10).
- Não somos amigos, mas ele [Serra] me conhece muito bem. Até por uma questão de satisfação ao país, ele tem que responder [...] Acho um absurdo não ter resposta, porque quem cala, consente.
Hoje, em Aparecida, Serra negou que o engenheiro tenha desviado recursos que seriam destinados à sua campanha.

- O Paulo Souza não está trabalhando na área de finanças da campanha, não recolheu dinheiro que não chegou à campanha. Eu teria sabido. Se sou o candidato, eu saberia. Isso não aconteceu. Não existiu nenhum desvio.
O R7 tentou, sem sucesso, localizar membros da campanha tucana nesta segunda-feira (11) e na terça para comentar o caso.
Entenda o caso
Em agosto, reportagem da revista IstoÉ trouxe a denúncia do suposto calote e informou ainda que Paulo Vieira de Souza tem uma relação estreita com Aloysio Nunes, tucano que acabou de obter uma vaga no Senado por São Paulo e era chefe da Casa Civil de Serra.
“As relações de Aloysio e Paulo Preto são antigas e extrapolam a questão política. Em 2007, familiares do engenheiro fizeram um empréstimo de R$ 300 mil para Aloysio”. No final do ano passado, o ex-chefe da Casa Civil afirmou que usou o dinheiro para pagar parte do apartamento adquirido no bairro de Higienópolis e que “tudo já foi quitado”, diz a reportagem da IstoÉ.
A revista diz que “segundo dois dirigentes do primeiro escalão do PSDB, o engenheiro arrecadou “antes e depois de definidos os candidatos tucanos às sucessões nacional e estadual”. Os R$ 4 milhões seriam referentes apenas ao valor arrecadado antes do lançamento oficial das candidaturas, o que impede que a dinheirama seja declarada, tanto pelo partido como pelos doadores”, relata a revista.
A IstoÉ diz ainda que “até abril, Paulo Preto ocupou posição estratégica na administração tucana do Estado de São Paulo” – ele foi diretor de engenharia da Dersa, estatal responsável por obras como a do Rodoanel.
A reportagem da revista ouviu tucanos que o acusaram de ter arrecadado os tais R$ 4 milhões em nome do PSDB para as campanhas eleitorais deste ano e de não ter levado o dinheiro ao caixa do comitê do presidenciável Serra. A IstoÉ também ouviu Paulo Preto, que nega a arrecadação de recursos e diz que virou “bode expiatório”.
O engenheiro não é filiado ao PSDB, mas tem uma longa trajetória ligada aos governos tucanos. A revista conta que ele ocupou cargos no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso e, em São Paulo, atuou na linha 4 do Metrô, no Rodoanel e na marginal Tietê.
Outra acusação que pesa sobre o “homem-bomba” tucano, segundo definição da revista Veja, é o envolvimento do seu nome na operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que investigou a empreiteira Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. Embora não tenha sido indiciado, Paulo Preto é citado em uma série de documentos. Um dos papéis indica que o ex-diretor da Dersa teria recebido quatro pagamentos mensais de pouco mais de R$ 400 mil, o que ele nega.
Paulo Preto foi exonerado da diretoria da Dersa em abril deste ano quando Alberto Goldman assumiu o governo de São Paulo no lugar de Serra. Em entrevista à IstoÉ, o ex-diretor diz que até hoje não foi informado sobre o motivo da demissão.

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