domingo, outubro 17, 2010

Marina dentro do PV

Opção pela neutralidade mostra a força de Marina dentro do PV
 

Altino Machado
Filippo Cecilio
Direto de São Paulo
A decisão quase unânime da Executiva Nacional do PV a favor da independência do partido no segundo turno eleitoral (88 votos a favor e 4 contra) mostra a força que a senadora Marina Silva conquistou dentro do partido após a abertura das urnas, que lhe trouxe quase 20 milhões de votos.
Reportagem do Terra, publicada um dia após o primeiro turno da eleição presidencial, antecipou que o destino de Marina Silva no segundo turno seria sem apoio a José Serra (PSDB) ou a Dilma Rousseff (PT). O Terra ouviu pessoas do círculo mais próximo da ex-candidata do PV.
Embora Marina tenha sinalizado desde o primeiro momento que não apoiaria nenhum dos candidatos, o PV tendia a apoiar o PSDB pelas ligações históricas existentes entre as legendas.
Temendo perder o capital político conquistado na aba do sucesso de Marina, o partido preferiu não divergir de sua principal figura nessa questão. "O que não significa que iremos seguir a opinião de Marina sempre", advertiu Fernando Gabeira, candidato derrotado ao governo do Rio de Janeiro e que já declarou apoio a Serra.
A tendência agora é de que Marina e seu grupo - ainda minoritário na executiva do PV - passem a pautar sua agenda com mais frequência, definindo os rumos que o partido seguirá.
"Existe uma correspondência entre a liderança que ela tem na sociedade e a liderança que ela exerce no partido", explicou Alfredo Sirkis, vice-presidente nacional dos verdes.
Um primeiro sinal da "correspondência" foi a composição da mesa na plenária dos verdes neste domingo (17), formada majoritariamente pelo grupo de pessoas que é próximo a Marina dentro do PV.
Apesar da posição oficial do partido, seus filiados estão liberados para apoiar o candidato que preferirem, desde que não sejam utilizados símbolos e instrumentos do partido.
A regra não vale, entretanto, para as lideranças do PV. Essas não estão autorizadas a revelar seu voto.
A posição de neutralidade do PV é entendida por alguns representantes do partido presentes na convenção como o primeiro sinal da candidatura de Marina à presidência em 2014.
Embora a senadora negue que já pense nas próximas eleições, alguns de seus aliados mostram que o entendimento do partido segue em outra linha.
Para Ricardo Young, que concorreu ao Senado em São Paulo pelo PV, Marina é a única liderança política nacional após o fim do governo Lula.
"A geração de Lula e Serra se encerra agora, e Marina é a única alternativa viável de poder nesse momento. O desafio do PV agora é maturar essa liderança para chegar em 2014 como verdadeiro partido de participação popular", disse Young.
Durante a entrevista coletiva, após a plenária, Marina revelou que pretende continuar atuando de maneira incisiva no debate político brasileiro, mesmo perdendo a tribuna no Senado. Ela deve reassumir a presidência do IDS (Instituto de Desenvolvimento e Sustentabilidade), da qual se licenciou para disputar o Palácio do Planalto.

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