terça-feira, novembro 22, 2011

Alunos de Cajueirinho pesquisam sobre o trabalho escravo na comunidade no periodo do Surgimento da Comunidade.

Alunos de Cajueirinho pesquisam sobre o trabalho escravo na comunidade no periodo do Surgimento da Comunidade.

As pesquisas realizadas pelos alunos da EEF JOAO EVANGELISTA VASCONCELOS fazem parte da  REVISÃO DO MAPEAMENTO CULTURAL do SELO UNICEF  em Cruz e foram produzidas no período do segundo semestre letivo. Os textos produzidos mostram a figura do Sr. fundador da comunidade e dono de escravo além de um trabalho importante realizado pelo mesmo na comunidade com participãção de trabalho escravo.



PESQUISAS DE CAMPO



FRUTUOSO JOSÉ DE FREITAS



Frutuoso José de Freitas, residia em Córrego Fechado, Município de Acaraú. Foi o fundador desse localidade, segundo relatos do Sr. Manoel Messias de Freitas.

Por volta de 1870, Frutuoso e sua família vieram morar nesta comunidade quando adquiriu propriedades por aqui. Logo tratou de agasalhar sua família, construindo casas e dando continuidade ao seu trabalho de agricultor e criador de animais. Frutuoso era um senhor de posses, tinha grandes propriedades de terra e com isso muitas pessoas lhe prestaram serviços, inclusive um casal de escravos que trabalhava para a família desde muito tempo. Sua condição de dono de escravo não lhe tornava um senhor severo e explorador. Seus escravos tinham morada própria cedida pelo patrão.

Em pouco tempo a propriedade do Cajueirinho transformou-se na 'Fazenda Cajueirinho', nome originado de um pequeno cajueiro situado em frente a casa de Frutuoso que passou a ser o ponto de referência para quem circulava por estas terras.

Com os tres mil e seiscentos hectares de área que demarcava o Cajueirinho, Frutuoso ganhava prestígio e poder perante a sociedade. No dia 06 de abril de 1883, D. Pedro II, lhe concedeu o título de Capitão da Guarda Nacional.

Depois de ter fundado a Fazenda Cajeirinho, o velho Frutuoso entregou aos seus familiares seus bens e voltou a morar na sua propriedade de Córrego Fechado vindo visitar sua fazenda somente nos finais de semana.

O tempo e a idade se encarregaram de consumir as forças de Frutuoso que veio a falecer em julho de 1919, com 96 anos, deixando para as gerações futuras seu exemplo de vida, sua história e o Cajueirinho, que hoje de pequeno só tem o nome.

Frutuoso está presente na memória das crianças, jovens e adultos que circulam pela praça do Cajueirinho que recebeu seu nome como reconhecimento ao seu mérito.



Sabrina Sousa Moraes – 14 anos – Cajueirinho 1 – 06/10/2011 – EEF João Evangelista Vasconcelos.



CACIMBÃO – MEMÓRIA DO TRABALHO EM TEMPOS DE CRISE



NO ano de 1817, uma grande seca abalou profundamente a vida dos moradores de Cajueirinho. Frutuoso, primeiro proprietário desta terra, diante da escassez de água e do pedido de socorro do povo, reuniu os trabalhadores e mandou cavar um cacimbão no leito do Córrego para abastecer as famílias e salvar as criações de animais.

Dentre os trabalhadores que escavaram o poço havia um casal de escravos: Pedro Marques da Cunha e Jacinta Maria da Conceição. Foi um trabalho árduo e manual onde o barro era retirado em cestas de cipó e arrastado em cima de couro de boi. As paredes do tanque com o cacimbão no centro foi feita de alvenaria numa área retangular de 8 por 50 metros e 20 metros de profundidade com uma rampa para facilitar a retirada do material e a descida dos animais para beber.

O tempo passou e com isso a erosão provocada pelas águas correntes, foi soterrando o cacimbão a ponto de ficar imperceptível. Somente no ano de 1983, com uma outra seca, que afligiu a população, o governo do estado lançou um programa de emergência, o popular “Bolsão da Seca”, viu-se a possibilidade de restaurar o velho cacimbão. Cinquenta homens escavaram por quatro meses em meio a muita lama e atingiram 12 metros de profundidade.

Esta obra construída em época de crises, é de grande valor histórico para a comunidade por representar uma conquista das primeiras gerações do Cajueirinho. Atualmente o cacimbão está em processo de soterramento, mais ainda serve para matar a sede dos animais na época do verão e divertir os adolescentes que se aventuram a pescar.



TAINARA MARIA DE SOUSA CARVALHO - 13 anos – Cajueirinho 1 – 07/10/2011 – EEF João Evangelista Vasconcelos.

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